• Tatuador desde 2004, Fabinho fala sobre preconceito e evolução da tatuagem

    Por em março 21, 2017


    Fabinho:“Meu estúdio é minha segunda casa"

    Fabinho:“Meu estúdio é minha segunda casa”

    Estúdio Free Hand Tattoo foi premiado no momento em que Fábio dava entrevista ao Cotia Todo Dia

    Uma arte carregada de estigmas e preconceito, a tatuagem, há séculos, enfrenta barreiras e ainda é vista, por muitos, como algo “criminoso”. Uma herança histórica difícil de ser revertida, mas que, aos poucos, vem passando por grandes mudanças na sociedade.

    O Cotia Todo Dia foi até o Centro de Cotia, onde fica o Estúdio Free Hand Tattoo, para conversar sobre o assunto com Fábio Santos, o Fabinho, tatuador desde 2004. A reportagem aproveitou o pouco movimento da manhã, dentro do estúdio, para realizar a entrevista, que não havia sido combinada.

    tattoo-400cDemorou, vamos conversar sim”, disse Fabinho, que conta que iniciou a arte desde cedo. “Meu primeiro contato foi quando eu rabiscava de caneta meus amigos na escola (risos). A tatuagem era bem discriminada na época, eu não queria ter em mim”, disse.

    Fabinho foi tatuado pela primeira vez aos 19 anos. A partir desse momento, despertou o interesse pela arte. “Quando eu conheci um tatuador chamado Alexandre Durães, e ele me explicou o que era uma tatuagem, foi que eu comecei a entrar nesse meio”, relata.

    Alexandre ensinou o básico para o então recém-tatuador, que aprendeu desde limpar o chão do estúdio, para manter uma higiene adequada ao trabalho, até a esterilizar os materiais. Segundo Fabinho, isso foi fundamental para o início da nova carreira.

    “Meu estúdio é minha segunda casa. É muito importante ter um ambiente limpo e saber falar com um cliente também. Hoje em dia, num estúdio de tatuagem, não vem mais só aqueles caras locão, do rock n´ roll e tal. Hoje em dia vem um pai de família, vem um médico, um policial, um avô. Já cheguei a tatuar um senhor de 74 anos”, explica.

    tatto400dEssa mudança no perfil do público, que hoje procura um estúdio para fazer tatuagem, se deve a dois fatores, de acordo com Fabinho. O primeiro é que os próprios profissionais da área começaram a estudar e a se especializar mais. O outro fator é a mídia, que mostra a todo o momento artistas e jogadores de futebol tatuados. “E acrescento um terceiro fator, que é a internet. Quem não tinha acesso a uma tatuagem, hoje pode olhar pela internet trabalhos espetaculares”, afirma.

    Quando questionado sobre o preconceito, Fabinho, que tem mais de cem tatuagens espalhadas pelo corpo, inclusive no rosto, afirma que diminuiu, mas não acabou completamente.

    “Eu já fui xingado de palhaço por pessoas na rua. Já aconteceu de pessoas passarem por mim e se benzer. Em Shopping, mercado, já rolaram umas perseguições, de entrar na loja e ver que o atendente ficou meio assustado. Uma hora as pessoas vão entender que tatuagem não faz o caráter de ninguém”, desabafa.

    Para ele, as simbologias das tatuagens “são coisas do passado”. “Eu acho errado julgarem a pessoa por um símbolo que ela carrega no corpo”.  Mesmo assim, Fabinho aconselha quando alguém vai fazer um desenho que tenha esse estilo. “Eu aviso, porque é uma coisa que ainda acontece lá fora. Um pouco menos, mas ainda acontece”, diz.

    A entrevista foi interrompida nesse momento. Fabinho foi chamado até o balcão do estúdio para conversar com um rapaz que havia chegado para falar com ele. Na verdade, se tratava de um representante da “Feras Pesquisa”, uma empresa que faz pesquisa de mercado por setor. A Free Hand Tattoo ganhou um certificado, por ter sido o estúdio de tatuagem mais indicado pela população de Cotia.

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