Rosemarie Jensen e as poderosas PANCs do Sítio Anhangá

Por em julho 11, 2018

 

Rosemarie com a Folha da Taioba que é excelente em patês, sopas e panquecas!

Rosemarie com a Folha da Taioba que é excelente em patês, sopas e panquecas!

Você já ouviu falar em PANCs? Quem sabe tenha muitas enfeitando o seu jardim. Talvez até já tenha pisado em algumas delas sem saber de seu real valor. Hoje as Plantas Alimentícias Não Convencionais estão até na cozinha de grandes chefs como Alex Atala, entre outros: são flores, raízes, folhas, talos e sementes super-resistentes e nutritivas como o caruru, a paineira, a embaúba, a ora-pro-nobis, a pata de elefante, a costela-de-adão  e centenas de outras. Só no livro Plantas Alimentícias Não Convencionais, de Valdely Kinupp e Harri Lorenz, considerado a Bblia das PANCs no Brasil, estão catalogadas 351 delas!

Como estava o Sítio Anhangá em 1986.

Como estava o Sítio Anhangá em 1986.

 

Há 32 anos muitas PANCs vêm sendo introduzidas no Sítio Anhangá´, nos arredores da Reserva do Morro Grande, dentro de um projeto familiar de cultivo orgânico e com a proposta de recuperar uma terra exaurida por décadas de cultivo de eucaliptos.

Neta de imigrantes alemães de Santa Catarina, Rosemarie Jensen, a atual proprietária do sítio, foi criada na cidade de Joinville e sempre teve muito contato com a terra antes de vir para São Paulo.

 

 

Já casada, moradora da Granja Viana, mãe de quatro filhos adolescentes e artesã da cerâmica, Rose resolveu investir em terras quando recebeu uma herança em 1986. Queria criar abelhas e produzir alimentos orgânicos, livres de agrotóxicos e hormônios para consumo familiar e também para vender.

E hoje com a mata e a terra revigoradas.

E hoje com a mata e a terra revigoradas.

 

Mudou-se, então, com o marido e os filhos adolescentes para um local onde nem energia elétrica tinham, onde a água do banho era esquentada pelo fogão a lenha! A luz vinha de um gerador movido a manivela que toda a família tinha de movimentar para carregar a bateria. Os filhos que antes iam a pé para escola, agora tinham de enfrentar estrada de terra e pegar ônibus.

Os primeiros anos foram de muito trabalho e pesquisa para fazer o resgate do solo exaurido.  Cursos de agricultura orgânica, compostagem, adubação e  permacultura trouxeram ao solo toda a riqueza necessária para o desenvolvimento da linda biodiversidade atual.

Cultivava legumes e verduras que eram vendidos na recém inaugurada Feira de Orgânicos do Parque da Água Branca, onde também participou de muitos cursos e workshops da Associação de Agricultura Orgânica do Estado de São Paulo.

Nestas três décadas, fez reviver a Mata Atlântica em sua plenitude na área de 20.200 m2 que conseguiu adquirir. Hoje o antigo cenário de terra árida deu lugar a um paraíso de onde ela tira o alimento e os remédios para a sua família, vizinhos e amigos. Uma mata verde que alimenta também a fauna local. Uma terra fértil cultivada dentro dos princípios da permacultura, uma cultura permanente baseada no equilíbrio entre a natureza e o que se pretende cultivar nela de forma sustentável.

Em nossa visita ao Sítio Anhangá, Rose compartilhou um pouco de seu conhecimento. Veja aqui algumas dicas sobre as Pancs:

  • As Paineiras (Ceiba speciosa) tão comuns em algumas ruas da Granja Viana têm flores e folhas comestíveis! Cada árvore é uma fartura de alimento a nossa disposição. As folhas são fonte de proteína e fósforo.
  • A chamada Pata de Elefante (Yucca guatemalensis), que para muitos é só ornamental, tem flores comestíveis e um palmito saboroso e muito nutritivo. Suas flores também são ricas em vitamina C e as pétalas podem ser utilizadas em saladas cruas, sopas e refogados.

    As folhas da Monstera e o fruto conhecido como Abacaxi Japonês.

    As folhas da Monstera e o fruto conhecido como Abacaxi Japonês.

  • A Monstera, mais conhecida como Costela de Adão, também muito usada como planta ornamental, tem um fruto conhecido como abacaxi japonês, que é puro mel. Na natureza é muito apreciada pela fauna silvestre.

 

 

 

 

 

  • Na Mata Atlântica também encontramos uma bananinha cor de rosa, muito bonita chamada Musa Velutina. Ao contrário das bananas comuns, que tem o cacho pendente para baixo, está tem o cacho voltado para o sol. Sua casca, sua polpa e sementes têm muitos nutrientes! É rica em potássio e zinco. Atua beneficamente em infecções de pele, perda de cabelo e problemas de infertilidade masculina. Também atua contra ansiedade, depressão e Mal de Parkinson.
  • A casca da Musa Velutina, sua polpa e sementes tem muitos nutrientes

    A casca da Musa Velutina, sua polpa e sementes tem muitos nutrientes

    Caruru, do gênero Amaranthus, muito conhecido e utilizado na culinária do nordeste também se dá bem com a nossa terra e pode ser usado em saladas, molhos e refogados. Talos e folhas também são usados em receitas de panquecas, tortas, bolos, pães, risotos e até na macarronada. É rico em vitaminas A, B1, B2, C, Ferro, Cálcio e Potássio. É indicado para o fortalecimento de ossos e dentes. Também fortalece o fígado.

 

 

 

 

  • A Pereskia aculeata, conhecida como Ora-pro-nobis, usada como cerca viva por ter espinhos, também como ornamental por seus lindos buquês de flores, contém 25% de proteína em suas folhas e cada vez mais é usada pelos veganos. Também ajuda a recompor a flora instestinal, evita constipação, prisão de ventre, úlceras e hemorroidas. Tem poder anti-inflamatório.

 

Rose apresenta algumas PANCs aos visitantes do Sítio.

Rose apresenta algumas PANCs aos visitantes do Sítio.

O roteiro realizado pela Mundo Aflora Turismo foi um passeio experimental. As visitas turísticas ao Sítio Inhangá fazem parte de um projeto futuro para compartilhar informação sobre as PANCS pois atualmente algumas obras estão sendo realizadas na propriedade.


No final da visita, o grupo ainda pode saborear alguns chás e outras delícias feitas com PANCs como o Patê de Taioba. Valeu muito a visita e o conhecimento adquirido!

 

 

 

 

Serviço:
Mundo Aflora Turismo
Tel.(11)94197-6896 ou 99525-0502
Facebook: MundoAfloraTurismo
O que ler para aprender mais sobre PANCs:
Plantas Alimentícias Não Convencionais no Brasil
De
Valdely Kinupp e Harri Lorenz

 

Mônica Krausz
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