
O que é viver entre a poesia e a realidade, entre os sonhos e a hora de acordar?
É estar entre o ignorar o dia a dia, correndo o risco de perder-se em ilusões ou perder o sentido da vida ante a nua e crua realidade.
Entre colorir os fatos com forçadas cores de fantasia, e o contentar-se com o preto e branco.
Entre o pintar borrado fora dos contornos e uma infância sem cor.
Entre o não saber quem é, e o não ter identidade própria.
Molhar a terra seca com lágrimas e modelá-las com a arte da esperança. É inventar desculpas, mas, não acreditar nelas.
Ao invés de um ponto final, parênteses, vírgulas, ou um grande ponto de interrogação! E quando não tiver mais jeito, acrescentar mais dois...
Transformar sexo em amor, instinto em romantismo e paixões em amor próprio.
Poesia é poder ver o nosso espetáculo de camarote; realidade é pagar pelo show dos outros.
Realidade é a porta para o mundo, poesia é olhar por uma janela. Tudo isso numa mesma casa!
Fantasia é a arte dos limites. Saber o que se pode ou não; é o começo do amadurecimento. Para conhecer alguém, conheça suas fantasias.
Saber que não podemos tocar as nuvens, mas, podermos formar qualquer imagem com elas. Foi nos dados olhos para podermos ver e imaginação, para podermos imaginar.
Poesia não nega a realidade, antes a usa como apoio para atravessar desertos, montanhas e decepções.
Dar vida às coisas, com sopros de inspiração, para logo depois ficar sem ar, para as conclusões!
Ser como uma fruta, ter uma casca grossa por fora, uma polpa saborosa por dentro e bem no meio, preciosas sementes. Saboreado por alguém, ou noutra bela árvore se transformar.
É andar sobre um muro alto e estreito, dividindo realidades opostas e complementares, que com a experiência da vida vai se engrossando e ficando mais baixo, até uma hora, finalmente, poder pisar em segurança em terra firme.
Saber viver entre a poesia e a realidade; talvez seja um dom, talvez uma arte ou, talvez, apenas existir!
Realidade é conhecer, poesia é aprofundar.
Poesia é um brincar prazeroso, realidade é o jogar cauteloso.
Realidade é sentir o corpo frio, poesia é a alma refrescada.
Realidade é o adaptar, poesia é o evoluir.
Realidade é escalar uma montanha, poesia é contemplar o horizonte.
Poesia são os olhos úmidos, realidade é sentir a boca seca.
Realidade é sentir-se perdido, poesia é perder-se em si mesmo.
Realidade é um caminho tortuoso, poesia é andar sem destino.
Realidade é tropeçar, poesia o impulso para o voo.
Realidade é o desenhar, poesia o colorir.
Realidade são os fatos e acontecimentos, poesia o poetizar das experiências.
Realidade é o salto, poesia o mergulho!
Gui Rainer, Junho/2012.










Comentários
Como Palavra ofencivapre, maravilhoso texto!!! Parabébens, beijo
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