Rê Bordosa ressurge com edição integral

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Os quadrinhos brasileiros devem muito a dois templos da farra paulistana dos anos 1980, o Pirandello (na Rua Augusta) e o Riviera (na Rua da Consolação), ambos extintos.

Foi nesses dois bares, ou pelo menos impregnado pela atmosfera deles, que Angeli criou muitos dos seus personagens, mas especialmente Rê Bordosa, a anti-heroína libertina movida a vodca e devassidão.

Era 1984, e depois de uma noite de esbórnia no Pirandello, o cartunista insone e ressacado tinha de mandar uma tira para a "Ilustrada" -onde começou a publicar em 1973 e se mantém até hoje.

"Eu não tinha condição nenhuma. Fiz uma mulher na banheira, curtindo uma ressaca parecida com a que eu sentia", conta Angeli.

Bendita ressaca. Rê Bordosa se tornaria personagem icônica da HQ brasileira, a mais idolatrada entre as criaturas de um artista que pôs no mundo outros poderosos ídolos cult, como o machão Bibelô, os revolucionários de araque Meiaoito e Nanico e o punk Bob Cuspe.

Morta pelo autor em 1987, a antimusa da banheira está de volta, com a publicação de "Toda Rê Bordosa" (Quadrinhos na Cia.), volume em capa dura a ser lançado durante a Flip, de 4 a 8 de julho em Paraty, onde Angeli participa de um debate com Laerte.

O título cumpre o que promete, reunindo toda a produção de Angeli sobre a personagem --tiras, esboços etc.

Segundo o cartunista, é pouca coisa, comparado com o acervo de outros tipos. "Do Meiaoito, por exemplo, tenho pilhas de história. A Rê Bordosa cabia numa pasta."

Ainda assim, é um prato cheio para os fãs da junkie. O livro traz o anúncio, publicado na capa da "Ilustrada" em 4 de abril de 1984, anunciando o nascimento da personagem. Na outra ponta, reedita a história em que Angeli resolve matá-la, de 1987, jogando-a no rio Tietê.

Na saga que se segue, ela é salva por mendigos, vai para um convento, se casa com o garçom Juvenal e, forçada à abstinência e à vida caseira, explode, literalmente.

Numa época em que o país saía da ditadura, a curta vida de Rê Bordosa tem a marca da transgressão. Ela transava com todos (na alvorada da Aids), fazia abortos, detonava nas drogas.

"Ela representava aquela geração, num tempo em que se bebia muito, se consumia droga. Uma época em que eu enfiava o pé na jaca, eu era a Rê Bordosa", diz Angeli.

Mas o cartunista de 55 anos ("mas já me sinto com 79", brinca) relata que quis mesmo mostrar uma mulher livre.

"Era um comportamento feminino novo, uma mulher que saía sozinha em busca de seus amores, que enchia a cara, fazia tudo que até ali só era permitido aos homens."

No Riviera, ele viu de outra feita uma mulher fazendo xixi em pé no banheiro masculino. "Olhei e dei uma risadinha, e ela: 'Depois da quinta dose, faço coisas [de] que até Deus duvida'. Isso virou quase uma palavra de ordem para a Rê Bordosa."

Angeli conta que, ao fazer a primeira tira, não pensava em criar personagem, mas a popularidade foi tanta que não teve outro jeito.

Ele tomou gostou, mas só até certo ponto. "Depois de um tempo, todo mundo pedia: 'Faz uma Rê Bordosa pra mim'. Tinha camisetas, bonequinho, peguei bronca. Por isso a matei. Matei antes de ficar com raiva, no momento certo."

RÊ BORDOSA 2012
A reportagem pediu a três cartunistas (Laerte, Julia Bax e Zairaldo) que imaginassem como seria a Rê Bordosa hoje, caso não tivesse sido morta por Angeli em 1987. Veja abaixo:

 

Da Folha de S. Paulo

 

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