• Há 76 anos em Cotia, seu José de Lima relembra fatos que marcaram a cidade

    Por em abril 1, 2017


    Na última entrevista da série ‘Cotia, 161 anos’, o cotiatododia conversou com o seu José, que nos contou os ‘causos’ e ainda revelou seu último desejo

    Por José Francisco Neto

    A última entrevista da série especial ‘Cotia, 161 anos’ foi com um antigo morador da cidade, o seu José de Lima ou  ‘Zé Miudinho’, como ele era chamado antigamente pelos amigos. A reportagem foi até a sua casa, no Residencial Nakamura Park, em Cotia.

    Senhor José no Grupo Escolar de Cotia aos 11 anos (arquivo pessoal)

    Senhor José no Grupo Escolar de Cotia aos 11 anos (arquivo pessoal)

    Dona Josefa, esposa de José, foi quem nos atendeu. “Pode entrar que o cotiano já vem”, disse, bem humorada. E ele não tardou. Desceu as escadas, sentou-se na cadeira e logo foi nos contando seu passado. “Nasci na rua 2 de abril” […] “não, foi na Senador Feijó”, corrigiu sua esposa. E continuou: “Depois de um tempo, mudei para o Portão. Fiquei pouco tempo no Centro de Cotia. Meu pai trabalhava na roça. Aqui era tudo chácara”, relembra.

    Seu José, que apesar da idade, ainda trabalha como metalúrgico, disse que a Rodovia Raposo Tavares era uma estrada de terra e cheia de curvas. Os bairros, segundo ele, eram distantes uns dos outros. “Demorava muito para ir a São Paulo. Se chovesse muito, os ônibus paravam na estrada”, conta.

    A agricultura era forte na região. Só depois de um tempo foram chegando algumas empresas, que geraram oportunidades de trabalho para quem morava aqui. Seu José relembra da Munck, antiga metalúrgica que fechou as portas no final dos anos 80.

    Time do Esporte Clube Portão - meu pai é o segundo da esquerda para direita dos que estão agachados

    Time de Futebol do Esporte Clube Portão quase veteranos.

    “Meu negócio era jogar bola. A Munck estava precisando de um jogador, porque eles estavam formando um time. Aí entrei lá para jogar bola e acabei ficando por lá. Trabalhei até pouco tempo lá”, revela.

    Ainda sobre a infância e adolescência, o metalúrgico lembra os tempos de escola. Na verdade, apenas uma escola.

    Time do Esporte Clube Portão - meu pai é o segundo da esquerda para direita dos que estão agachados

    Time do Esporte Clube Portão , sr José é o segundo da esquerda para direita dos que estão agachados

    “Tinha só uma escola, que ficava ali onde hoje é a casa Yano, de material de construção. Chamava Grupo Escolar de Cotia. Todo mundo estudava lá. A gente ia tudo à pé. Depois foi construída uma escola de madeira, que ficava ali onde hoje é o Batista Cepelos. Ali foi a primeira escola de madeira que teve”, rememora.

    Da direita para esquerda\;                    Ana Maria (Nha Nica), José e Pedro Antônio de Lima ( Pedro Paschoal)

    Da direita para esquerda\; Ana Maria (Nha Nica), José e Pedro Antônio de Lima ( Pedro Paschoal)

    Sempre com bom humor e com uma conversa descontraída, vire e mexe, durante nosso bate-papo, seu José se lembrava de um ‘causo’.

    “A gente era molecada e saímos pra pescar um dia. Aí deu uma chuva forte e a gente veio embora. Aí passou um carro da ambulância, e o motorista nos conhecia, porque naquela época a gente conhecia todo mundo. Aí ele viu que tava chovendo muito e deu uma carona para nós na ambulância. Chegou em casa, e quando a turma abriu a porta e viu chegar a ambulância, não deu uma hora tava cheio de gente dentro de casa pra saber o que tinha acontecido”, recorda, aos risos de sua esposa Josefa.

    Seu José viu a cidade crescer, gradativamente. Aproveitou muito a juventude, sempre com vigor e alto astral. Frequentou o cinema, que antigamente tinha no centro de Cotia, ia com os amigos no circo, para ver apresentações do Mazzaropi, passeou no Morro Grande, onde, segundo ele, era um dos lugares mais lindos do município, e por aí fez história, que não caberia em apenas uma entrevista.

    Com orgulho da cidade que nasceu, seu José tem um último desejo, que revelou ao cotiatododia. “Quando morrer, minha vontade é de ser enterrado aqui”, conta.

    Seu José e sua esposa Josefa

    Seu José e sua esposa Josefa

    Sobre as mudanças na cidade, de seu tempo para os dias atuais, ele opina: “A cidade, automaticamente, tinha que mudar. Porque o progresso uma hora vem. Mas o progresso traz coisas boas e coisas ruins. Não tem jeito de escapar disso”, conclui.

    E, assim, o cotiatododia termina a série de entrevistas sobre a cidade de Cotia, que completará 161 anos no próximo domingo. Um município que, segundo nossos entrevistados, cresceu muito, mas de uma forma desordenada, mas que ainda guarda boas lembranças e uma memória com muita saudade.

     

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