• Das telas, dos palcos para Cotia  

    Por em outubro 10, 2017


    O ator Arthur Kohl abre sua casa e fala sobre a trajetória artística construída nos últimos anos, os planos para o futuro e os personagens mais marcantes de sua história.

    Já imaginou ir comprar pãozinho na padaria próxima a sua casa e dar de cara com um dos personagens mais importantes da sua infância? Isso foi o que aconteceu comigo quando encontrei o ator Arthur Kohl, pela primeira vez, na padaria do km 39 da Rodovia Raposo Tavares.

    Arthur está sempre de prosa com os amigos na padoca “Isso é o bisavô da rede social”, como ele mesmo diz. Ele também pode estar sentado em um canto, com seu cigarro de palha, provavelmente observando todos ao seu redor. Isso não é atoa. Seu trabalho vai desde peças de teatro, como Não Mexe Com Quem Tá Quietinho e Terça Insana (atualmente), assim como trabalhos na televisão: Rá-Tim-Bum (1990), Som e Fúria (2009), Telecurso 2000 (1995) e filmes como Xingu (2012) e Real: O Plano por Trás da História (2017). Não posso esquecer o comercial “Não é assim uma Brastemp” (1991), feito ao lado de seu amigo Wandi Doratiotto, que caiu no gosto popular.

    DSC08787Ele tem diferentes formas, como se estivesse, todos os dias com um figurino diferente; a calça suja de tinta não é um sinal de desleixo, mas vestígio de uma criatividade efervescente na hora de criar mandalas.

    Eu acompanhei sua carreira desde Rá-Tim-Bum e fui até sua casa para descobrir mais sobre sua vida e trajetória. Confira nesta entrevista exclusiva!

    De onde partiu a ideia de vir morar em Cotia? O ritmo pacato da cidade te ajuda a compor seus personagens?

    Aqui foi uma opção meio caminho de vida, sabe? Minha história tem raízes aqui, meu avô foi um dos primeiros a vir morar nesse bairro e me lembro de gostar muito desse sossego. Eu sempre gostei dessa levada mais interiorana.

    Ajuda né? Ajuda para o ator, para o dono da farmácia, para o açougueiro. Aqui têm coisas que estão virando a grande riqueza e as pessoas não estão prestando a atenção. O cara que é rico é o cara que tem água e tempo. Esse outro trabalho que eu tenho e tal, escultura, pintura, é uma benção; Inclusive, eu fui trazendo um monte de amigo ator, como Renato Caldas e o Luiz Ramalho.

    Você já pensou em trazer peças de teatro para Cotia?

    O espetáculo Terça Insana, eu realmente adoraria fazer em Cotia. Grace Gianoukas e eu, criamos uma espécie de show “pocket”. Não precisa de toda aquela trupe de atores e produção grande. Isso barateia o orçamento e é mais fácil de levar para diversos lugares. Já fiz alguns trabalhos no Teatro da Wurth, que tem uma boa estrutura. É só convidar.

    O Arthur Kohl artista plástico tem interesse no mercado de artes plásticas ou é apenas um hobbie?

    Só falta um dono de uma grande galeria de arte me descobrir. Tenho uma produção e às vezes eu vendo. Sabe o que me falta? (calmamente) Certa capacidade comercial, pois, eu gostaria de vender mais.

    Afinal, quantas faces você tem? Ator, ator humorista, artista, carpinteiro, o que mais?

    Eu gosto dessas coisas que eu faço com madeira, escultura, também gosto da parte de ser ator. Faço inúmeras coisas, construo casas, além disso, tenho um pequeno restaurante privé aqui em casa. Abre conforme a demanda. Cozinho o trivial da avó, carne de panela, moqueca, essas coisas.

    DSC08836Indo para uma parte importante de sua carreira. Como é saber que o programa Rá-Tim-Bum não só da minha infância, mas da infância de tantas pessoas?

    É bom. Aquilo era programa para criança de verdade, não era só um desenho, havia um cunho pedagógico. É um prazer parte da formação de alguém e saber que aquilo acompanhou aquela pessoa por sua vida. Fico muito feliz que esses trabalhos tenham os seguidos pela vida.

    Te acompanho desde o Rá-Tim-Bum e sei que você já trabalhou com diretores consagrados como Fernando Meirelles, outro que admiro. Como foi ver a evolução do diretor?

    Entenda o Fernando já era meu amigo antes de ser o Fernando Meirelles diretor, desde o final de adolescência. Sempre estivemos meio por perto. Eu acho uma das grandes justiças nas artes visuais no Brasil à carreira do Fernando, foi por merecimento. O Fernando foi pra cima do mercado, as poucas produtoras que vieram com ele, hoje coproduzem com a Globo. Estabelecer essa confiança em que a Globo deixa outra produtora fazer seus trabalhos, esse caminho foi aberto pela O2. O Fernando é um cara formidável, muito inteligente, muito sacador das coisas, sabe? O primeiro longa-metragem do cara é o longa que é, Cidade de Deus e logo você fala “bom, vamos sentar e esperar o próximo”.

    Há algum trabalho ou personagem que gostaria de ter interpretado ainda não fez?

    A lista é grande (risos). Vou começar por Encontros e Desencontros, da Sofia Coppola.  Aquele com a “feia” (ironia) da Scarlet Johansson e o Bill Murray. Aquele é um filme que você olha e fala “Esse eu gostaria de fazer”. Além disso, o longa argentino Um Conto Chinês que o Ricardo Darín fez, como eu queria esse pra mim. Tem vários né? Tem um filme que pouca gente conhece chamado “Vanishing Point“, conta a história de um cara que atravessa os EUA de carro. Eu fiz uma viagem grande de carro para os EUA. Esse é um personagem legal, um cara meio caladão, sabe?

    DSC08802E uma biografia, já pensou em interpretar alguém inteiramente?

    Difícil… Tem um cara que não é famoso e todo mundo achava que era meu irmão mais velho. É um biólogo, não sei nem te falar o nome dele. A história é assim: ele é alemão e veio ao Brasil para ensinar seu idioma aos trabalhadores na Usina de Angra, uma usina nuclear. Lá, todo o equipamento é alemão. No Rio, ganhou dinheiro com as aulas e chegou um momento que ele se encheu de tudo e foi embora para o meio de Minas Gerais e construiu uma pousada de três quartos. Fico imaginando que história interessante, formação de exatas, na Europa, trabalha de professor de línguas. Eu gostaria de contar uma história assim, de alguém que fez essa opção.

    O que podemos esperar de seus futuros trabalhos?

    Pode esperar muita coisa. O filme Real (O plano por trás da história) está em cartaz nos cinemas, onde eu faço o José Serra. Além disso, estou na série que ainda vai lançar na Netflix, dirigida pelo José Padilha, não posso falar muito sobre ela.

    É a série sobre a Operação lava-jato?

    Sim, é sobre a lava-jato, mas não posso falar muito sobre isso.

    Participei do longa-metragem, biografia do Bispo Edir Macedo, dono da Universal do Reino de Deus. Vai ser uma das maiores produções do cinema brasileiro. Serão dois longas feitos com uma mega produção da Record em parceria com a Paris Filmes. Impressionante é o trabalho do ator Petrônio Gotijo, que está fazendo o bispo Edir Macedo. Ele basicamente incorporou o personagem, os trejeitos, o jeito, a linguagem corporal. Tudo foi feito com muito estudo e cautela, vale apena.

    Além disso, tem toda a história com a Grace, pois estamos voltando a fazer uma Terça Insana com era lá no começo. Sempre têm umas coisas em vista.

    Como foi fazer o filme sobre o plano real e ainda interpretar o José Serra?

    Interpretar o José Serra foi bem complicado, pois ele é uma figura emblemática. Eu percebi que tinha que fazer uma pesquisa mais ampla sobre ele, seus trejeitos, seu sotaque bem paulistano e ter cuidado para não ficar caricato. É incorporar o personagem. O resulto final agradou critica especializada e acho que vai agradar o público.

    Quais os projetos do trio Arthur Kohl, Wandi Doratiotto e Renato Caldas? Posso esperar surpresas?

    Ah! Pode sim, o Caldas mora aqui do lado, sempre temos projetos. O Doratiotto também mora próximo, sempre conversamos sobre possibilidades de fazer coisas, principalmente no teatro. Só ficar de olho.

    RO: Para descontrair. Você é mais reconhecido como contador de histórias ou como vendedor de máquina de lavar?

    Arthur Kohl: (Risos). Graças a Deus, muito mais como contador de histórias. A publicidade tem isso, um reconhecimento perene, breve. Quando você tem a sorte e a chance de fazer o comercial da Brastemp como eu fiz, é muito legal, mas no dia a dia, as pessoas esquecem. Claro, sempre tem um ou outro que fala “E ai Brastemp!‘. Por ser contador de histórias há mais reconhecimento de quem assistiu muito Ra-Tim-Bum e o  Telecurso. O sucesso do Telecurso vem dessa dupla que eu fiz com o Luiz Ramalho que representava muito o cara que estava vendo. É um reconhecimento bem maior.

     

    Filmografia Arthur Kohl

    Televisão

    Filmografia

    (2013) Três Teresas

    (2009) Som & Fúria

    (2006) JK

    (2005) Mad Maria

    (2003) Não mexe com quem tá quietinho

    (1995) Telecurso 2000

    (1991-1992) Não é assim uma Brastemp

    (1990) Rá-Tim-Bum

    Cinema

    (2018). Nada a perder

    (2017) Real: o plano por trás da História

    (2012) Xingu

    (2011) Amanhã Nunca Mais

    Teatro

    (2013 – atualmente) Terça Insana

    (2003) Não mexe com quem tá quietinho

     

     

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