Louvável a atitude da Prefeitura Municipal de Cotia que, atraves da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência, realizaram um evento abordando o tema acessibilidade. Lamento o fato de que, a despeito dos esforços realizados para proporcionar melhores condições de existência para as pessoas com deficiências, ainda são poucos os cidadãos verdadeiramente sensibilizadas por e para tal realidade. Aliás, todos os que lutam com muita intensidade no âmbito das questões ambientais, e são muitos por aqui, deveriam incluir em seus pensamentos e em suas ações, conceitos e atitudes relativas ao meio ambiente inóspito que está sendo oferecido às pessoas com deficiências. O não oferecimento de condições ambientais propícias para o acesso de pessoas com deficiências aos mais diferentes locais, e mais, as dificuldades que se impõem à livre locomoção das pessoas com deficiências, deveria ser entendido como crime ambiental. Da mesma forma, inclusive, como se caracterizam as dificuldades, criadas pelos homens, para a natureza seguir livremente seu destino. Lamentável, também, é o fato de não ser nada fácil ter acesso às normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Tecnicas) que regulamentam as edificações no que diz respeito à acessibilidade das pessoas com deficiências e outras questões correlatas, tais como: inclinação de rampas, largura de portas, largura de corredores, áreas para sanitários, vasos sanitários e pias, barras de apoio, etc...). Para poder chegar a essas normas e construir o meu consultório de modo a poder acolher e atender com respeito e dignidade as pessoas com dificiências, lembro-me muito bem, foi uma tarefa árdua. Hoje, tal tarefa é um pouco mais fácil. Basta ligar para a ABNT, ou enviar um e-mail, para que eles enviem a NBR9050. Acontece que tal norma custa R$77,50, segundo informações que colhi pelo telefone 3017-3600 (ABNT). A meu ver, por se tratar de questões ambientais intimamente ligadas à existência digna de humanos com necessidades especiais, tal norma, produto com a qual a ABNT lucra financeiramente, deveria ser distribuida de modo amplo e gratuito. Custa-me acreditar que existem humanos - e como existem - que lucram com coisas como essa. Sugiro, finalizando, que as agremiações, associações e congêneres, que lutam em prol da melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiências, obtenham tal norma e distribuam largamente mesma para toda a população. Com a vantagem, ainda, de fazer com que todos fiquem conhecendo como devem ser tratados os lugares públicos para que as pessoas com deficiências possam exercer a cidadania a que têm direito. E digo mais: se quiserem, dentro de minhas limitadas possibilidades, auxilio na confecção dessa Cartilha ABNT9050
Dr Denis Ferrari |